A essência de Frida Kahlo

quarta-feira, julho 30, 2014

Por ter nascido e morrido em julho, este é considerado o mês da Frida. Para aproveitar o seu mês, contarei um pouco da sua história, que é cheia de altos e baixos. E preparem-se, pois este post será longo.

Em 06 de julho de 1907 na Casa Azul, em Coyoacan, no México, nascia Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón, mais conhecida como Frida Kahlo. Sua vida foi intensa, marcada por várias tragédias. Aos 06 anos de idade, em 1913, Frida contraiu poliomelite, esse foi o primeiro episódio de seu vasto histórico médico. Após um longo período de cama, recuperou-se, entretanto sua perna direita afinou e seu pé atrofiou, o que resultou no apelido Frida pata de palo (Frida perna de pau).  Por esse motivo, passou a usar calças e saias longas - com muitas cores -, que tornou uma de suas marcas pessoais.
Os vestidos de Frida Kahlo - Museu Frida Kahlo. Foto: Miguel Tovar.
Entre os anos de 1922 e 1925, Frida frequentou a Escola Nacional Preparatória do Distrito Federal do México. Aos 18 anos de idade, em 1925, enquanto estudava medicina, sofreu um grave acidente, o bonde no qual ela e o seu noivo Alejandro Gómez Arias estavam chocou-se com um trem. O pára-choque de um dos veículos atravessou seu abdômen, a coluna vertebral e a pélvis, causando-lhe uma grande hemorragia. 

Entre a vida e a morte durante meses, passou por diversas cirurgias (35 ao todo), tendo que reconstruir seu corpo por inteiro, pois o mesmo estava todo perfurado. O acidente fez com que ela fosse obrigada a usar coletes ortopédicos. Frida pensava ser a má sorte em pessoa, e dizia: “E a sensação nunca mais me deixou, de que meu corpo carrega em si todas as chagas do mundo”.
“Coluna Rota”, 1944  | Acervo Pessoal.
Frida não começou a pintar cedo, ao contrário de muitos outros artistas. Embora seu pai tivesse a pintura como um passatempo, ela não pensava na arte como uma carreira. Frida despertou o interesse pela pintura após sua mãe colocar um espelho no topo de sua cama, foi aí que usando a caixa de tintas de seu pai e um cavalete devidamente adaptado à cama ela começou a pintar freneticamente.

Em 1928, entrou para o Partido Comunista Mexicano e conheceu Diego Rivera, com quem se casa no ano seguinte, aos 22 anos. Rivera foi o pintor mexicano mais importante do século 20 e fez parte do movimento muralista, que defendia a arte acessível. Quando se casou com Frida a família dela comparou a união ao casamento de um elefante com uma pomba, pois ele era alto, forte e 21 anos mais velho.
Acervo pessoal.
Frida e Diego tiveram um casamento tumultuado, ambos possuíam temperamentos fortes e casos extraconjugais. Diego era mulherengo reconhecido, ele não se importava com os relacionamentos de Kahlo com mulheres, mas não aceitava os casos da esposa com homens, o mais famoso deles foi o com o então revolucionário russo León Trotski.

Apesar das traições do marido, a maior dor de Frida foi a impossibilidade de ter filhos (embora tenha engravidado mais de uma vez, as sequelas do acidente a impossibilitaram de levar uma gestação até o final), o que ficou claro em muitos dos seus quadros.
“Henry Ford Hospital” -la cama volando-, 1932.
Embora seu casamento com Diego fosse conturbado, ele a ajudou florescer seu lado artista. Sob sua influência, Frida adotou zonas de cor amplas e simples, utilizando com muita frequência temas do folclore e da arte popular do México. Entre os anos de 1930 e 1933 passa a maior parte do tempo em Nova York e Detroit, onde Rivera tinha trabalhos e exposições. 

Frida, mais mexicana do que nunca, chocava a todos com suas roupas, risos e gestos. Descobria-se uma forte e desejada mulher. Em Detroit, Frida engravida, mas sofre um aborto, fato que mais de uma vez leva embora o seu sonho de ser mãe. Quando volta para o México, teve de superar a perda de sua mãe, Matilde, (vítima de câncer), mais um aborto e algumas crises no seu casamento com Diego, que a traia até com a sua irmã mais nova, Cristina.

Recebe León Trotski em sua casa em Coyoacan, entre 1937 e 1939. André Breton qualifica sua obra como sendo surrealista em 1938. Não contente, declarou mais tarde: Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei minha própria realidade.
Self-Portrait with Thorn Necklace and Hummingbird, 1940. | As duas Fridas.
Em 1939 Kahlo fez sua primeira exposição individual em Nova York, na galeria de Julien Levy, em Nova York, e foi sucesso de crítica. Em seguida viaja a Paris e expõe na galeria Renón et Colle. Com isso, entra para o mundo vanguarda artística dos surrealistas, conhecendo Pablo Picasso, Max Ernst, Marcel Duchamp, Paul Éluard e Wassily Kandinsky. Um de seus autorretratos é adquirido pelo Museu do Louvre. Neste mesmo ano separa-se de Diego Rivera, mas no ano seguinte une-se novamente a ele. Deu aulas de introdução à pintura, a partir de 1943, na Escola La Esmeralda na Cidade do México. 

Nos anos seguintes seu estado de saúde piorou, e o colete antes de gesso, foi substituído por um de ferro que dificultava até a sua respiração. Mesmo tendo passado por diversas cirurgias na coluna, continua pintando. Os médicos diagnosticam a amputação de sua perna em 1950 e ela entra em depressão. Em um ano (1950-1951), passa por sete operações na coluna, que infeccionam, graças ao colete de uso obrigatório. Em 2 julho de 1954 participa, em cadeira de rodas, da manifestação contra a intervenção americana na Guatemala. 
“Pés para que os quero, se tenho asas para voar.” – Quando amputaram sua perna. | Frida na manifestação – Acervo pessoal.
Frida sempre teve vontade de expor suas obras em seu país de origem e a oportunidade ocorreu 12 dias antes de sua morte, na Galeria de Arte Contemporânea. Embora estivesse proibida pelo médico de sair da cama, Frida aparece em sua exposição, surpreendendo a todos. 

Kahlo que havia contraído uma forte pneumonia foi encontrada morta na madrugada de 13 de Julho de 1954, aos 47 anos. Seu atestado de óbito registra embolia pulmonar como sendo a causa de sua morte, porém não foi descartada a hipótese de ter sido por overdose (acidental ou não), devido ao grande número de remédios que ingeria. Em seu diário, deixou suas últimas palavras: Espero alegre a minha partida – e espero não retornar nunca mais.

Frida era uma mulher extremamente corajosa, forte, destemida e essas suas características ainda impressionam muitas pessoas. Ela pode não ter retornado, porém sua imagem e bravura permanecem nos inspirando até hoje. Seu jeito de se vestir, portar-se a tornaram única.
Acervo pessoal.
Para aqueles que moram em Curitiba ou região (assim como eu) aproveitem para ver a exposição Frida Kahlo  As suas fotografias no MON  Museu Oscar Niemeyer, que começou no dia 17 de julho e ficará até o dia 02 de novembro, a exposição conta com 240 fotos do acervo pessoal da artista. Eu fui e é realmente incrível, vendo todas as fotos dá até uma sensação de ser uma pessoa íntima dela. 

Sites que serviram de base para a criação desse post: Museu Oscar NiemeyerFrida La TiendaSua PesquisaCoisas FúteisWikipédia, Revista Época.


Espero que tenham gostado.  

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Au revoir. 

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10 comentários

  1. Fiquei tão feliz da exposição de fotografias vir pra Curitiba! ainda não pude ir, mas quero ir o mais rápido possível! Imagino o dia que tiver uma exposição com alguma obra dela. <3

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    1. Eu também! E fiquei contando os dias para chegar logo, haha. Vá mesmo, é muito boa, tem várias fotos dela que não encontramos facilmente na internet e dá uma sensação de conhecê-la pessoalmente ao ver fotos tão íntimas.
      Nem me fale, seria muito bom se viesse.

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  2. Já tinha lido e ouvido muito sobre a Frida, achei maravilhosa a história dela. Beijos
    (Utopias de Maria)

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    1. A história de vida dela é realmente inspiradora, né? Tanta coragem numa só pessoa, é de se admirar e ficar encantada.

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  3. Posts que contém cultura ó ♥ ahahaha
    Vi que tu morava no Paraná e já ia te dizer que tinha exposição dela no MON, mas você foi mais rápida haha
    Uma mulher e tanto, tô louca pra ver a exposição!

    bjoo

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    1. É só amor, né? Haha.
      Sim, eu moro nas "redondezas" de Curitiba, rs. Eu estava super ansiosa pela exposição que não me aguentei e fui assim que começou, haha.
      Ela é definitivamente um exemplo de pessoa, queria eu ser metade do que ela foi.
      Você não se arrependerá de ir, sério. Me senti "mais perto" vendo a história acompanhada de suas fotografias.
      Beijos

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  4. Eu estudei a historia da Frida e fiquei encantada! Adorei ler isso por aqui. Parabéns pelo post, eu realmente amei você ter abordado esse assunto! Bjos
    enfim-resolvido.blogspot.com.br

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    1. Eu também fiquei, o que mais admiro na história dela é que apesar de tanta tragédia ela sempre tentou dar a volta por cima.
      Muito obrigada, mesmo. Fiquei muito feliz ao ler seu comentário, me deixou confortada ao ver reconhecimento pelo que faço.
      Beijos

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  5. Nossa que vida.. Só de ler da um negócio no coração... História incrível...

    www.girlsmachine.com

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    1. Eu senti a mesma coisa ao escrever o post, não consigo nem imaginar o quanto ela deve ter sofrido. É realmente uma história e tanto.

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